Horta Literária do CEEJA: Perspectivas, Concepções e Práticas

Autor: João Paulo Francisco de Souza – joaopaulo.unesp@gmail.com

  • Grupo de Pesquisa: Processos de Leitura: apropriação e objetivação
  • Doutor em Educação – UNESP/Marília
  • Mestre em Letras – UNESP/Assis
  • Professor de Língua Portuguesa da rede pública
  • Professor Coordenador do CEEJA

Autora: Vanessa Prado – bivaprado@hotmail.com

  • Grupo de Pesquisa: Processos de Leitura: apropriação e objetivação
  • Doutora em Educação – UNESP/Marília
  • Mestre em Educação – UNESP/Marília
  • Professora de educação infantil da rede pública
  • Diretora de escola pública estadual

Objetivo:

Abordaremos, portanto, e de forma breve, como a Horta Literária foi pensada e organizada pela equipe CEEJA e como alunos e comunidade podem interpretar, com Bakhtin, as ações de formação desse Centro de Educação.

Algumas dimensões:

  • O CEEJA COMO ALTERNATIVA DE ESTUDO AOS JOVENS E ADULTOS TRABALHADORES
    • Em 2016, Brasil tem mais 11, 8 milhões de analfabetos, segundo dados do IBGE.
  • A EDUCAÇÃO PARA A VIDA E O ENSINO DA LÍNGUA NA VIDA: PERSPECTIVAS PARA A EJA 
    • Diferentes marcas dialógicas se evidenciam por meio de enunciados
  • HORTA-LITERÁRIA: UM PROJETO DE EDUCAÇÃO VIVO PARA A VIDA
    • É o diálogo entre diferentes instâncias enunciativas que dá sustentação à interação verbal
  • TODO MUNDO NA HORTA E TODO MUNDO NA RODA: OS PARTICIPANTES DA HORTA- LITERÁRIAFALAM COM BAKHTIN
    • Marcas dialógicas dos enunciados: a orientação social, para o outro; a presença de diferentes vozes sociais que dialogam ou se conflitam.
  • Algumas vozes:
    • ALUNO: “Sou membro da Comunidade, participo dos eventos desta Escola desde o ano passado. Percebo que professores e alunos estão bem entrosados e isso se dá graças aos projetos bem planejados; eles conseguem fazer com que todos atuem em prol dos objetivos propostos, faz com que nós, os envolvidos, percebamos que pequenos gestos podem culminar em grandes resultados, conseguimos ler para idosos carentes, assistir a eventos motivadores, participar de atividades culturais e tantas outras, motivando-nos e inserindo-nos de maneira natural nas apresentações, mostrando-nos o quão é importante atuarmos num compromisso de fé no homem e no futuro” (SANTOS, 2012).
    • PROFESSOR: “A Horta Literária como um projeto educativo de nossa escola exemplifica um importante ecossistema que enfatiza não apenas a interação ambiental com os seres vivos através de reações químicas e biológicas, como também o estabelecimento de uma relação inter e multidisciplinar alicerçada em várias áreas científicas do conhecimento, que abrange todos os componentes disciplinares como parte de um currículo mais diversificado, tornando-se pluricultural na medida em que buscamos pelas pesquisas e experiências, um conhecer mais apurado que não fica limitado apenas a sala de aula, mas busca o desconhecido como fortalecimento de nossas hipóteses, relacionamento da teoria com a prática e a construção do conhecimento científico” (LISBOA, 2014)
    • PESQUISADORES: “Se a vida é um eterno balançar, a educação e a língua serão aprendidas no seu remexer . Diante da fala do professor, Bakhtin (2010a) esclarece que é justamente a fusão dos dois mundos, mundo teórico e mundo prático que proporciona ao sujeito da vida real a apropriação do conhecimento de modo significativo. Não tratamos aqui da apropriação como domínio da palavra por um só dono, mas no sentido de sentir o dizer do outro como pertencente, por um momento, meu. Assim, o sujeito é capaz de perceber que a ciência, no caso exemplificado, só pode evoluir e contribuir para a transformação da humanidade se pautada na vida” (SOUZA; PRADO, 2019).
  • Categoria: Horta Literária

REFERÊNCIAS

BAKTHIN, M. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

______. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem13. ed. São Paulo: Hucitec, 2012.

______. O freudismo: um esboço crítico. São Paulo: Perspectiva, 2009.

______. Para uma filosofia do ato responsável. São Carlos: Pedro e João, 2010a.

______. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. 6. ed. São Paulo: Hucitec, 2010b.

HADDAD, S. A ação de governos locais na educação de jovens e adultos. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 35, ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 15 fev. 2013.

______.; DI PIERRO, M. C. Escolarização de jovens e adultos. Revista Brasileira de Educação, mai-ago, n. 14, p. 108-130, São Paulo, 2000.

______.;______.; FREITAS, M. V. Perfil do Atendimento em alfabetização de jovens e adultos no Estado de São Paulo. R.bras. Est. pedag., v. 74, n. 178, p. 495-528, set./dez. Brasília, 1993. Disponível em: < http://rbep.inep.gov.br/index.php/RBEP/article/viewFile/307/308>. Acesso em 01 fev. 2015.

LIMA, E. A.; GIROTTO, C. G. G. S. Ações Interdisciplinares em Salas de EJA: os projetos de trabalho à luz do enfoque histórico-cultural. Educação: Teoria e Prática – v. 19, n. 33, jul-dez, 2009. Disponível em: < http://base.repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/106824/ISSN1981-8106-2009-19-33-1-20.pdf?sequence=1>. Acesso em 01 de fev. 2015.

LIRA, D.; BALMANT, O. Matrícula no ensino de adultos cai 11%, segundo Censo Escolar. Hoje em Dia. São Paulo, set. 2012. Disponível em: <http://www.hojeemdia.com.br/noticias/matricula-no-ensino-de-adultos-cai-11-segundo-censo-escolar-1.31256>. Acesso em 17 fev. 2013.

MIGUEL, J. C. Tendências emergentes na formação do educador de EJA: especificidades e profissionalização. In: BARBOSA, R. L. L. Formação de educadores: artes e técnicas – ciências e políticas. São Paulo: UNESP, 2006. p. 257 – 268.

SÃO PAULO (Estado). RESOLUÇÃO SE n. 75, de 08 dezembro de 2018. Dispõe sobre a organização e o funcionamento dos cursos de Educação de Jovens e Adultos, nos Centros Estaduais de Educação de Jovens e Adultos – CEEJAs. São Paulo, 2018.