Centenário de Paulo Freire Educação para o Bem Viver

O CEEJA de Marília e os ensinamentos com Paulo Freire!

Em 19 de setembro de 2021, o mundo comemora o Centenário de Paulo Freire –  patrono da Educação Brasileira e Doutor Honoris Causa em pelo menos 35 universidades espalhadas em vários continentes! Para iniciar as comemorações, o CEEJA preparou uma escrita coletiva com a participação de todos os professores da nossa escola na qual apresentamos um pouco da Educação de Jovens e Adultos e o direito à educação pública, transformadora e de qualidade para todas e todos!

De acordo com a professora de Filosofia, Maria Antonieta, de maneira geral, o CEEJA atende  estudantes que, por diferentes razões, foram impedidos de concluir os estudos durante seu percurso formativo. Inicialmente voltado para a classe trabalhadora, hoje, a heterogeneidade é uma das características mais marcantes dessa modalidade de ensino.
 
A fim de não incorrer em mais uma história de exclusão, torna-se imperativo a consideração das diversidades e especificidades dos indivíduos e o reconhecimento dos diferentes grupos sociais que buscam a escola.Toda a equipe de trabalhadores da escola – professores, funcionários e equipe gestora –  procura, por meio de diferentes modos, acolher e engajar todo novo estudante que matricula-se no CEEJA.
 
A professora Débora, da disciplina de Matemática, destaca que o atendimento individualizado facilita aos educadores que tal objetivo seja continuamente buscado durante todo o processo de ensino e de aprendizagem. Durante o acolhimento ao aluno, realizado por toda a equipe, já se inicia o processo de reconhecimento do perfil, dos anseios e prospectos do estudante em relação à escola.
 
Avaliações diagnósticas, aplicadas assim que o aluno se apresenta ao professor de cada disciplina, também buscam reconhecer  informações sobre sua trajetória e projeto de vida. Assim, as atividades propostas e roteiros de estudos são pensados, adaptados e propostos aos estudantes sempre em consonância com o perfil diagnosticado.
 
Em relação as avaliações, a professora Renata argumenta que no CEEJA os estudantes são continuamente estimulados ao pensar crítico e emancipatório por meio de diferentes instrumentos. As avaliações escolares não são usadas simplesmente para mensurar os conteúdos assimilados. A avaliação dos estudantes são sempre qualitativas e se caracterizam como um processo contínuo, formativo, com caráter diagnóstico no sentido de indicar o percurso de aprendizagem.
 
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão"
Paulo Freire
1987
Por meio das diferentes atividades propostas, são observados e considerados os avanços dos estudantes comparando-se o antes, o durante e o depois. Por outro lado, esses mesmos instrumentos avaliatórios devem possibilitar ao professor examinar o seu próprio desempenho como docente, refletindo sobre as intervenções didáticas necessárias e outras possibilidades de atuação no processo de aprendizagem dos alunos. 
 A professora Fátima  expõe e defende a importância do acolhimento, por ser esse o momento em que ocorre uma maior aproximação entre professor e aluno. Como já citado anteriormente, é durante o processo de acolhimento que acontece um diálogo entre professor e estudante, cujo objetivo é identificar as causas das dificuldades específicas dos estudantes na assimilação do conhecimento, tanto relacionadas ao desenvolvimento pessoal deles quanto a identificação de quais conteúdos do currículo exigem maior atenção em relação a aprendizagem. O coordenador pedagógico, João Paulo, acrescente ainda que esse é o momento especial para dialogar com o estudante sobre seus conhecimentos prévios, sobre seus sonhos, seus anseios e suas utopias para uma realidade melhor. Sempre procurando deixar o  aluno bem a vontade,  os professores sondam seus sonhos e  expectativas, como também incentivam cada um a dar continuidade aos estudos, independente dos desafios que poderão enfrentar, evidenciando a capacidade de todos transformarem seus sonhos em realidade.
 
Segundo Veridiana Cirino, o acolhimento dos estudantes é realizado desde o momento em que ele faz a matrícula, quando chega na sala de aula, é feita a apresentação dos professores da disciplina, em seguida é pedido para que o mesmo faça a Avaliação Diagnóstica, feita a correção da mesma , começamos o “real acolhimento”, no qual é explicado como são realizados as avaliações, correções das atividades, explicações, e agendamento de aulas. Em seguida sempre temos uma conversa informal para podermos conhecer um pouco aluno, seus sonhos, objetivos com a volta ao estudo, assim podemos ter noção do perfil do mesmo e como poderemos agir.
 
De acordo com Rozimeiri, desta forma temos conhecimento dos anseios de uma grande maioria dos estudantes. Assim podemos saber a melhor forma de recebê-los, respeitando suas particularidades e singularidades, com respeito, esperança, solidariedade na formação para a vida. Para que isto ocorra os educadores ofertam acesso ao conhecimento por meio de atividades que levam os estudantes a desenvolverem pensamentos críticos em diálogo com sua realidade, de forma contextualizada e de acordo com cada educando.

Segundo Juliana, professora de Matemática, é importante pensar que o público do CEEJA em determinada época da vida interrompeu seus estudos por motivo diversos e, ao retornar para escola, consideramos que os alunos já têm uma história que já viveram, trazendo consigo uma grande experiência de vida.  No momento de acolhimento apresentação do professor, escutar o aluno, sua trajetória  de vida e expectativas para o futuro, explico sobre a disciplina, roteiro de estudo que o estudante terá que realizar e em seguida aplicamos uma avaliação diagnóstica.

De acordo com a professora de Geografia, Sílvia,  entre os principais desafios da educação de Jovens e Adultos não está só no acesso, mas também na permanência do aluno na escola, porque estar na escola não é só o desejo de voltar a estudar, mas envolve uma serie de questões, como financeiras, sociais e culturais, e muitos deles vêm para escola depois de um dia todo de trabalho.
 
Uma das funções da escola é fazer com que o aluno conclua seus estudos
buscando melhores condições de vida, fazendo com eles se sintam valorizados,  já que eles enfrentam os problemas decorrentes do desemprego.
 
Para o professor de Física, Jair,  cada estudante tem uma realidade diferente que precisa ser considerada. São pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho, com responsabilidades sociais e familiares, com valores éticos e morais formados a partir da experiência, do ambiente e da realidade em que estão inseridos.
 
Para a professora Ângela Maria, de Física, a escola CEEJA valoriza e considera o acolhimento como um dos pilares do ensino. Na disciplina Língua Portuguesa, as professoras destacam a importância dos protocolos sanitários neste período de retorno das aulas presenciais, bem como a relevância de valorizar os saberes de cada estudante que procura a escola. Atualmente, o agendamento de aula ajuda a organizar os tempos e espaços das aulas, de modo que na primeira aula há a explicação sobre o funcionamento da escola.
De acordo com a professora de Filosofia, Maria Antonieta, de maneira geral, o CEEJA atende  estudantes que, por diferentes razões, foram impedidos de concluir os estudos durante seu percurso formativo. Inicialmente voltado para a classe trabalhadora, hoje, a heterogeneidade é uma das características mais marcantes dessa modalidade de ensino.
 
A fim de não incorrer em mais uma história de exclusão, torna-se imperativo a consideração das diversidades e especificidades dos indivíduos e o reconhecimento dos diferentes grupos sociais que buscam a escola.Toda
a equipe de trabalhadores da escola – professores, funcionários e equipe gestora –  procura, por de diferentes modos, acolher e engajar todo novo estudante que realiza a matricula no CEEJA.
 
A professora Débora, da disciplina de Matemática, destaca que o atendimento individualizado facilita aos educadores que tal objetivo seja continuamente
buscado durante todo o processo de ensino e de aprendizagem.
A escola ainda realizada diversas oficinas e aulas em grupo, promovendo outros modos de interação social e estratégias diferentes de aprendizagem coletivas. Nessas atividades, há a ampliação do conhecimento por meio de diálogos, mutirões na horta literária da escola, entre outros tipos de eventos pedagógicos.
 
No CEEJA, a troca de saberes buscam construir um ambiente em que o conhecimento de cada um é valorizado. Por meio dos planos de ensino da escola são traçadas estratégias de ensino e de aprendizagem que organizam a trajetória a ser desenvolvida em cada disciplina e no diálogo entre elas. A relação entre a prática e a teoria é importante para que os currículos sejam adequados aos estudantes e à realidade que precisa ser transformada na sociedade. A individualidade dá espaço para um projeto de vida social que ultrapassa os interesses apenas individuais. Nesse sentido a singularidade colabora para o desenvolvimento das relações sociais.
Por meio das diferentes atividades propostas, são observados e considerados os avanços dos estudantes comparando-se o antes, o durante e o depois. Por outro lado, esses mesmos instrumentos avaliatórios devem possibilitar ao professor examinar o seu próprio desempenho como docente, refletindo sobre as intervenções didáticas necessárias e outras possibilidades de atuação no processo de aprendizagem dos alunos.
 

Segundo o professor Avelino, os alunos possuem autonomia para traçar seu ritmo de estudo diante das suas características pessoais, particulares e diversificadas. Desse modo, esse grupo heterogêneo precisa ser atendido de acordo com as suas características. Por exemplo, alguns alunos possuem dificuldades financeiras e precisam  frequentar alguns horários específicos; outros possuem dificuldades de aprendizagem e, portanto, precisam ter uma metodologia  específica voltada para atendê-los e, sempre que necessário, a escola conta ainda com o programa PEJA – desenvolvido em parceria com a UNESP, câmpus de Marília, que há quase 10 anos colabora em projetos voltados para o desenvolvimento da cultura escrita na escola. 

De acordo com a professora Nilce, o desenvolvimento de todas essas ações educativas, como o diálogo sobre a leitura de mundo do estudante é importante para a realização dos currículos diversificados, das avaliações formativas e dos aprofundamento de estudos voltados para atender o potencial de cada um.  
 
Para o professor Saulo, os roteiros são inicialmente produzidos respeitando os tempos e espaços dos educandos, de modo que desenvolva sempre o que é fundamental. O educador vai contextualizando os temas e fazendo uso do bom relacionamento e do conhecimento científico, superando o senso comum e construindo amizades, pois nas especificidades das individualizadas é possível perceber com a sensibilidade docente a necessidade de aprofundar e avançar certos temas, fugindo do script de apostilas, material didático ou algo que esteja “preso” ao tempo. A importância do desenvolvimento da autonomia é essencial nesse momento!
 

De acordo com a professora Lucilene, o CEEJA é uma escola inclusiva, onde todos os estudantes são acolhidos sem distinção de raça, cor, gênero ou religião. É uma escola aberta e receptiva, que valoriza a “bagagem” trazida pelos estudantes, valorizando-a, pois como já foi antes observado, os estudantes já possuem vivências e conhecimentos que são incorporados no seu processo de ensino-aprendizagem, de forma que o mesmo se sinta parte integrante da escola,  tornando assim, seu aprendizado muito mais interativo e significativo.  Portanto, tornando-se sujeito na construção do próprio conhecimento e formação humana, ampliando sua reflexão crítica, promovendo o desenvolvimento de sua autonomia intelectual.

A professora Elaine também reafirma que, uma das características principais do CEEJA é atender as especificidades de cada estudante, respeitando as experiências de vida trazidas por eles. Para isso, através do acolhimento e do diálogo com os alunos é possível atendê-los de forma singular e única e assim realizar uma aula adequada a cada um respeitando as suas individualidades.
 
O maior desafio da escola, para a professora Gloriette, da área de Inglês, é fazer com o que os estudantes permaneçam e concluam seus estudos, já que muitos   enfrentaram dificuldades sócio- econômicas e emocionais e as adversidades pesam muito fora do ambiente escolar.
 
Para a educadora Maria Helena, desenvolver a esperança e a solidariedade no ambiente escolar com os estudantes colabora muito para construir uma transformação da realidade. Quando os estudantes desenvolvem uma ética para a vida, que ultrapassa os muros da escola a sociedade muda, pois o conhecimento é compartilhado nos diferentes meios que os estudantes transitam, modificando sua visão de mundo por meio das interações realizadas durante cada aula significativa. A educadora ainda afirma que é gratificante ter a oportunidade de ter um contato e aprendermos muito com nossos alunos, conhecendo sua realidade, seus saberes diferentes e um pouco de suas vivências, que muitas vezes o impulsionou a dar continuidade aos estudos.
 
 
De acordo com a professora Delmira, no CEEJA são contempladas as perspectivas para além do mercado de trabalho, pois em cada acontecimento da aula temas geradores e textos importantes são alvo de estudos reflexivos para além das apostilas. Desse modo atividades de estudo são desenvolvidas para diversas situações da vida do estudante, baseadas na realidade e situações atuais e contextualizadas, ampliando assim a leitura de mundo de professor e estudante.
 
Segundo a professora Wendi, da área de Inglês, a autonomia colabora na compreensão da realidade. Desenvolvê-la é ampliar a consciência para cada nova realidade. Também podemos perceber que os avanços dos estudantes no CEEJA são observados quando eles transformam o seu olhar para a realidade, modificando sua atuação no mundo, seja por meio do seu trabalho ou pela sua palavra ou ação nos diferentes meios que transita. Receber esse feedback é fundamental para que possamos esperançar e  melhorar cada dia mais como professores capazes de, junto com os estudantes, modificar a realidade.

O educador e professor João Paulo, coordenador pedagógico do CEEJA, destaca a relevância do trabalho da escola em ler “com” Paulo Freire o mundo que nos cerca, junto com estudantes, professores e comunidade que abraça a instituição de ensino e que envolvem-se nas diferentes atividades de estudo que são produzidas ao longo dos 35 anos de existência do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Marília, interior de São Paulo. Segundo o coordenador, produzir um texto de forma coletiva por meio do uso de ferramentas de softwares livres já é em si um ato revolucionário, um de amor e um ato de esperança em tempos que é urgente que as palavras circulem com responsabilidade e com amorosidade!


Viva Paulo Freire! Viva a Educação para o Bem Viver! 

 
Prof. Dr. João Ras

Prof. Dr. João Ras

Professor Coordenador do CEEJA e Membro do LEEPES - Laboratório de Ensino e Pesquisa Educação e Sociedade da UNESP.

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1 comentário

  1. Gloriette Rodrigues diz:

    Parabéns a todos os professores da escola CEEJA. Que possamos ter força para continuar, sempre!!

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