CEEJA Educação para o Bem Viver Química

“Reconstruir parte da história e recuperar parte do que somos”

QUÍMICA, ARTE E HISTÓRIA

A Química presta uma contribuição essencial à humanidade, atuando em diversas áreas. Uma das áreas de destaque  da Química é na ajuda que presta à historiadores da arte na investigação de segredos por detrás de pinturas e esculturas em museus, e ajudando na restauração e preservação dessas obras.

Químicos e Físicos do IFRJ trabalham em parceria com Museus.

Com laboratório móvel, profissionais farão análises físico-químicas em obras de artes de museus brasileiros.

Químicos e físicos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) farão análises físico-químicas de bens culturais que estão sob a guarda dos museus do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A parceria é fruto de projeto de pesquisa que visa mapear bens culturais para a criação de um banco nacional de análise físico-químicas, uma base de dados onde ficarão armazenados os resultados alcançados e demais informações produzidas.

Valter em trabalho de recuperação de um quadro de Dom Pedro II pertencente ao acervo do Museu Imperial

Uma das várias aplicações do trabalho é a possibilidade de uma melhor adequação dos procedimentos de conservação e restauração dos acervos, e a comprovação da autenticidade de itens a partir das informações sobre procedência, origem, época de produção e outros dados que compõem a catalogação dos bens musealizados.

O trabalho destes profissionais será feito em um laboratório móvel que vai a cada museu da rede. Quem explica é o professor de Química do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) Valter Félix. “Os museus do Brasil não têm nenhum equipamento técnico-científico que dê suporte ao trabalho dos museólogos. Acabamos descobrindo isso por conta de trabalhos anteriores. E um dos membros do grupo trouxe a ideia de um laboratório móvel, com a utilização de materiais portáteis para que atendêssemos esses museus de acordo com a necessidade deles”.

O grupo submeteu o projeto pensando em desenvolver um trabalho capaz de criar um catálogo de pigmentos que pudesse ajudar o Ministério da Justiça a identificar obras que estão sub judice, se são verdadeiras ou falsas. “A partir do catálogo podemos fazer a identificação dos pigmentos que foram usados nas obras e partir daí, qualquer tipo de intervenção ou identificação da obra. Mas conversando com o reitor, concluímos que podíamos oferecer também um serviço que auxiliasse na conservação dessas obras”, conta.

A equipe de trabalho é formada por um especialista em arte, um físico e Valter, que é Químico. Ele exemplifica como o trabalho é realizado. “No Museu Nacional, que fica no Rio, há um quadro do Portinari que está perdendo coloração, as cores estão ficando diferentes das originais. Acreditamos que a lâmpada pode estar ocasionando algum tipo de reação fotoquímica. Com as análises físico-químicas, será possível analisar o grau de escurecimento dos pigmentos e decidir as medidas necessárias para frear o processo”.

Recontando a História do Brasil por meio da Química

O trabalho, que será feito em parceria com o Ibram, já vem sendo desempenhado pelo grupo há algum tempo. Eles estão há cerca de cinco anos trabalhando com pigmentos de telas e cerâmica. Um dos projetos desenvolvidos foi para o Museu Histórico Nacional no Cais do Valongo. Lá foram encontradas concas, vidros que os museólogos e arqueólogos gostariam de verificar se guardavam semelhança com as que eram fabricadas na Europa, principalmente em Veneza.

 

Trabalho de restauro de um painel de Dom João VI pertencente ao acervo do Consulado de Portugal

Graças a um trabalho de estatística feito com base em resultados das análises físico-químicas dos objetos encontrados, descobriu-se que parte das concas encontradas no Cais do Valongo indicavam um comércio dos escravos com os barcos que chegavam da Europa. Um desses comércios era exatamente este, de peças de vidro para utilização em brincos e colares. Outra parte era fruto da capacidade dos escravos de produzir aquele material quando fugiam para os quilombos.

Um trabalho a que o professor se dedica atualmente é o estudo de moedas da época de Dom João. “Quando veio para o Brasil, uma das primeiras ações dele foi recolher toda e qualquer moeda estrangeira que circulava no Brasil. E para fazer caixa no Banco do Brasil, que ele havia criado, começou a recunhar estas moedas com carimbo da coroa portuguesa com valor em prata maior do que elas tinham. Então elas têm um valor histórico, pois contam parte da nossa história bancária”.

Ser um Químico que ajuda a remontar a história é motivo de contentamento para Valter. “Gosto muito deste trabalho de recontar a história do Brasil. É gratificante fazer parte deste grupo de cientistas que ajudam a reconstruir parte da nossa história e recuperar parte do que somos”.

 

Fontes: Conselho Federal de Química (CFQ)
Química Nova – SciELO
Youtube -Canal Química, Arte & Autenticação – Caracterização Química e Física dos bens Culturais.

Você também pode gostar...

Deixe um comentário