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NO ISOLAMENTO COM O DIÁRIO DE ANNE FRANK

Deutschland Anne-Frank-Zentrum in Berlin (DW/H. Mund)

Desde o final de 2019, coincidindo com a propagação do coronavírus pelo planeta, podemos perceber um grande aumento de diários pessoais presentes nas mídias sociais. Relatos detalhados de anônimos e celebridades descrevem os sentimentos e sensações relacionados à pandemia, como também suas percepções, neste momento, em relação à política, à economia, à sociedade, ao meio ambiente.

Textos escritos, depoimentos, denúncias, fotos e vídeos postados nas redes sociais já começam a ser colecionados por museus e bibliotecas do mundo inteiro. Tendo em vista que informações podem sofrer ataques e fatos históricos podem ser questionados ou distorcidos, esse tipo de material está se tornando extremamente valioso para pesquisas, estudos futuros e até para a própria História.

É evidente que vivemos um momento desafiador: privação da liberdade, a impotência diante do desconhecido, a alteração nas relações sociais, o medo, a crise econômica de difícil recuperação, o aumento dos crimes de intolerância, a crescente retomada de grupos que resgatam discursos e atos fascistas, racistas e xenófobos.

E é neste contexto que Anne Frank e seu famoso diário surgem como inspiração. É claro, que guardadas as devidas proporções, pois nada se compara à tragédia vivida pela jovem.

Anneliese Marie Frank, conhecida com Anne Frank, foi uma adolescente judia que viveu em Amsterdã, na Holanda, durante a Segunda Guerra Mundial. Nasceu em 12 de junho de 1929, em Frankfurt (Alemanha). Fugindo da perseguição nazista aos judeus, a família de Anne se escondeu por dois anos no prédio onde seu pai trabalhava. Viviam com outros judeus em salas escondidas, o “Anexo Secreto”, cuja entrada era camuflada por uma estante de livros.

Durante esse tempo e até a prisão da família pela Gestapo, em agosto de 1944, Anne manteve um diário que recebera como presente em seu 13º aniversário.  Nesse diário registrou suas experiências, seus sentimentos, crenças, sonhos, medos, tensões, ambições, além de fornecer uma narrativa de eventos relacionados ao período da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.

Ela tinha 15 anos quando sua família foi encontrada e enviada ao campo de concentração, onde ela morreu, provavelmente de tifo. Otto, seu pai, o único sobrevivente da família, retornou a Amsterdã após a guerra para descobrir que o diário de Anne havia sido salvo e não mediu esforços para a sua publicação.

“O Diário de Anne Frank” é um documento precioso. É um dos livros mais conhecidos do mundo e tem sido a base de várias peças teatrais, filmes, documentários ou referência em diferentes obras. Quem já leu ou assistiu A Culpa é das Estrelas (John Green) vai se lembrar da visita que os personagens centrais – Hazel e Augustus – fazem à Casa de Anne Frank (que hoje é um museu aberto à visitação).

Em 1999, a revista Time nomeou Anne Frank entre os heróis e ícones do século XX em sua lista As Pessoas Mais Importantes do Século, afirmando: “Com um diário mantido em um sótão secreto, ela enfrentou os nazistas e deu uma voz ardente à luta pela dignidade humana “.

A força da narrativa de Anne seguramente provoca reflexões sobre o momento atual, pois os discursos presentes em seu Diário, relacionam-se a temáticas ainda muito presentes nas sociedades contemporâneas, e podem se transformar em um elemento de defesa contra o preconceito, a opressão e o genocídio, além de ser uma lição de esperança e um convite para sermos mais humanos.

“Escrever, fotografar, filmar, fazer shows na varanda ou pintar quadros que retratam a crise do novo coronavírus é dizer para nós mesmos que não estamos passivos diante dela. É uma forma de reafirmar nosso protagonismo e nossa capacidade de produzir narrativas estruturantes. Registrar uma experiência é ainda tentar entender ou tirar algo dessa experiência – e todos queremos que ela signifique algo.” Bruno Leal (doutor em História Social pela UFRJ).

Fontes e indicações para aprofundamento do tema:


https://novaescola.org.br/conteudo/19349/atividade-o-valor-do-diario-pessoal-em-tempos-de-isolamento
https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/19/querido-diario-por-que-a-pandemia-inspira-tantos-registros-autobiograficos.htm
https://www.jornaldaorla.com.br/noticias/43758-anne-frank-e-o-isolamento/
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2020/04/12/interna_mundo,844027/diario-de-anne-frank-continua-vivo-75-anos-apos-sua-morte.shtml
https://www.jcnet.com.br/opiniao/articulistas/2020/03/719145-anne-frank-e-o-covid-19.html
https://www.youtube.com/watch?v=0ExQcZ6zvjc&list=RDCMUClJAYpfNwjEXuhP3ssj71Ug&index=3
https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/literatura/historia-de-anne-frank-continua-atual-e-influente-8hqrlodbsxnxs48lt44v4ks5h/
https://epoca.globo.com/mundo/diarios-da-quarentena-museus-bibliotecas-colecionam-testemunhos-digitais-da-pandemia-24 410946
https://medium.com/roteirosliterarios/a-culpa-%C3%A9-das-estrelas-um-tour-por-amsterd%C3%A3-52591f0c1dc
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-diario-de-anne-frank-72-anos-da-publicacao-de-um-dos-mais-impactantes-relatos-do-holocausto.phtml
https://istoe.com.br/395410_O+DIARIO+DE+ANNE+FRANK+EM+NOVA+EMBALAGEM+/
https://www.dw.com/pt-br/1942-anne-frank-inicia-seu-di%C3%A1rio/a-576434

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