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Desconstruindo um Vírus: ensaios sobre ChAdOx1 nCoV-19 – a vacina mais esperada do Planeta!

Uma vacina pode ficar pronta em menos de um ano?

Com mais de 10 milhões de infectados em todo o mundo e mais de meio milhão de mortos só no Brasil, a pandemia de Covid-19, que teve início em Wuhan na China, não dá sinais de que esteja enfraquecendo e a esperança de que uma vacina possa parar o Coronavírus cresce a cada dia. De acordo com balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), há 141 candidatas a vacinas sendo investigadas e a que está mais avançada é a de Oxford, em fase 3, que será testada no Brasil.

Soumya Swaminathan is WHO Chief Scientist - The Hindu

A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan no destaque da foto ao lado, revelou que 17 vacinas estão hoje em fase de testes clínicos e acompanhadas pela agência de saúde. As pesquisas estão evoluindo a uma velocidade nunca vista antes. Mas ainda há algumas incertezas sobre como funciona a doença e sua relação com o sistema imunológico que podem ter impactos na produção de uma vacina.

O Coronavírus tem dado um “olé” na Ciência. Estudos recentes lançaram dúvidas sobre como se dá a resposta imunológica dos pacientes infectados. Em geral, entende-se que uma pessoa ficou imune se ela produziu anticorpos ao patógeno, mas notou-se que em pacientes assintomáticos (aqueles que não desenvolvem sintomas) houve uma queda nos níveis desses anticorpos. Pesquisas com vacinas terão de atentar para isso.

Mas por que um vírus está dificultando tanto a imunização dos seres humanos? Por que devemos temer o Novo Coronavírus?

Somente a BIOLOGIA vai nos responder essas questões!!

O VILÃO: Os Coronavírus pertencem à família Coronaviridae. São vírus com RNA linear não segmentado e seu nome se deve às espículas presentes na superfície dos vírus, que são semelhantes a uma coroa. São associados a doenças respiratórias, intestinais, hepáticas e neurológicas em mamíferos e aves. Eles têm grande potencial de transmissão entre espécies e rápida adaptação por apresentarem um genoma grande (o maior entre os vírus de RNA) e alta taxa de mutação e recombinação. Veja na imagem as características microscópicas do Novo Coronavírus.

Ciência analisa estrutura do coronavírus e busca drogas para ...

Se compararmos com outro vírus, ainda sem cura, como o vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana – AIDS), temos:

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Imagem disponível em https://saude.abril.com.br/wp-content/uploads/2020/06/sqs-corona-grafico.png.

Transmissão da Covid-19: O Coronavírus passa de um indivíduo para o outro por meio de gotículas de saliva que saem da boca ou do nariz quando tossimos, espirramos ou conversamos sem a máscara. Pode sobreviver em superfícies e objetos por até três dias.  As espículas virais são as chaves que permitem infectar o organismo pois são essas estruturas que se conectam a superfície das células para avançar até chegar no sistema respiratório. No caminho fabricam milhões de novas cópias de si mesmo e o estrago em nosso corpo está feito. A estrutura responsável por isto tem nome: é a glicoproteína Spike (S), que forma a “coroa” na superfície do vírus e também batiza o nome do vírus. 

O QUE A CIÊNCIA ESTÁ FAZENDO COM ESSAS INFORMAÇÕES? O processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de uma nova vacina é constituído de diversas etapas tratando-se, portanto, de um processo demorado, de alto investimento e associado a riscos elevados. Os estudos clínicos de uma nova vacina são classificados em estudos de Fase I, Fase II, Fase III e Fase IV.

Fase I: é o primeiro estudo a ser realizado em seres humanos e tem por objetivo principal demonstrar a segurança da vacina.

Fase II: tem por objetivo estabelecer a sua imunogenicidade que é o potencial de determinado medicamento biológico em provocar respostas imunes, podendo resultar em toxicidade (como reações anafiláticas) ou comprometer a eficácia do tratamento.

Fase III: é a última fase de estudo antes da obtenção do registro sanitário e tem por objetivo demonstrar a sua eficácia. Somente após a finalização do estudo de fase III e obtenção do registro sanitário é que a nova vacina poderá ser disponibilizada para a população.

Fase IV: Vacina disponibilizada para a população.

Em Oxford, uma Doutora pelo Instituto Butantan, a cientista brasileira Daniela Ferreira se considera otimista. Atualmente ela coordena um dos centros que testa a vacina contra a Covid-19 elaborada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido e trabalha para que o esforço não seja em vão terminando arquivado nos fundos dos freezers de laboratórios. Chamada de ChAdOx1 nCoV-19, essa nova vacina é produzida a partir de uma versão enfraquecida de um vírus de resfriado comum. Os pesquisadores adicionaram um material genético do Coronavírus que é responsável pela produção das proteínas encontradas na superfície do Sars-CoV-2.

O vídeo a seguir traz uma reportagem que explica o mecanismo de ação utilizado pelos pesquisadores no desenvolvimento da vacina que promete para este ano, a imunização mundial contra o novo Coronavírus. A reportagem acaba aos 9 minutos e 40 segundos. Confira:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=j21oq3G83EU?start=242&w=560&h=315]

 

De acordo com este estudo realizado em associação entre a Universidade de OXFORD no Reino Unido e a UNIFESP no Brasil, ao vacinar com a ChAdOx1 nCoV-19, espera-se fazer com que o corpo reconheça e desenvolva uma resposta imune à glicoproteína Spike (S) que ajude a impedir que o vírus SARS-CoV-2 entre nas células humanas e, portanto, evite a infecção. As vacinas feitas com o vírus ChAdOx1 foram administradas a mais de 320 pessoas até o momento e mostraram-se seguras e bem toleradas, embora possam causar efeitos colaterais temporários, como temperatura, dor de cabeça ou dor no braço.

Quando os resultados estarão disponíveis? Em 23 de Abril, os pesquisadores da Oxford publicaram pela primeira vez, as expectativas em relação aos seus estudos:

Para avaliar se a vacina trabalha para proteger do COVID-19, os estatísticos da nossa equipe compararão o número de infecções no grupo controle com o número de infecções no grupo vacinado. Para esse fim, é necessário que um pequeno número de participantes do estudo desenvolva o COVID-19. A rapidez com que atingimos os números necessários dependerá dos níveis de transmissão de vírus na comunidade. Se a transmissão continuar alta, podemos obter dados suficientes em alguns meses para ver se a vacina funciona, mas se os níveis de transmissão caírem, isso pode levar até 6 meses.

LEIA MAIS sobre este estudo clicando AQUI.

E se não funcionar? Uma alta proporção de vacinas não é promissora mesmo antes dos ensaios clínicos. Além disso, uma proporção significativa de vacinas testadas em ensaios clínicos não funciona. Se os estudos não alcançarem o principal objetivo de mostrar que a vacina é protetora contra o vírus, o processo será o de revisão do progresso, examinar abordagens alternativas, como o uso de diferentes números de doses, e posteriormente, interromper o programa.

Enquanto os cientistas correm contra o tempo para imunizar o Mundo todos nós devemos fazer a nossa parte.

Se puder, fique em casa.

Se sair, use a máscara.

Pratique o distanciamento adotando uma distância segura de 1,5 m das outras pessoas.

Evite as aglomerações e mantenha os cuidados de higiene, lavando as suas mãos com água e sabão e utilizando o álcool em gel ou álcool líquido 70° INPM (Instituto Nacional de Pesos e Medidas) para higienizar suas mãos e objetos.

 

Fontes: todos os materiais pesquisados podem ser acessados pelos links grifados no texto.

Quelselise Xavier

Quelselise Xavier

A Humildade não te faz Melhor que Ninguém, mas te faz Diferente de Muitos! ("Pensador)

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2 comentários

  1. ceeja-admin

    Parabéns Quelzinha queridaaaa….ótima postagem.

  2. ceeja-admin

    Parabéns professora Quelsi… informações importantíssimas nesse momento crítico em que estamos vivendo!!

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