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E você, gosta de poemas?

Olá meus amados alunos, quem nunca leu um poema e se sentiu deslumbrado?

José Hermógenes de Andrade Filho, mais conhecido como Professor Hermógenes, nasceu em 9 de março de 1921. Foi um militar, escritor e professor brasileiro. Hermógenes era doutor em Yogaterapia e descobriu os benefícios da ioga para a saúde física e mental na década de 60.

O poema Se é um dos vários trabalhos que o poeta escreveu. O poema faz refletir sobre quem somos e as constantes evoluções que buscamos. Sabe aqueles dias que você questiona os propósitos da vida e seus caminhos?

Embarque nessa leitura, escuta e sinta as boas energias que o poema traz.



Se
Hermógenes

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia… Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas… Se restar abatimento e revolta

Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…
Se algum ressentimento, Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar, E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou… Se continuar a mediocremente

Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio… Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu… Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia… Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende… Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim…Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito…Se, imprudente e cegamente,

Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz…

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou…

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a meta.

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1 comentário

  1. ceeja-admin

    Parabéns professora, gostei muito do poema e da declamação por áudio!!

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