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“A banalidade do mal” e sua perigosa atualidade.

Em 1963, a filósofa Hannah Arendt desenvolveu a teoria da “banalidade do mal”, ou seja, o mal que é praticado em consequência do cumprimento de ordens e da busca da adequação social.

Pensando no Brasil de hoje, será que podemos fazer essa leitura para falar sobre as mortes causadas pela polícia que acontecem em territórios periféricos das cidades, cujas vítimas têm sido crianças e adolescentes? 

Maria Eduarda, 13 anos, morta em 2017, fazendo aula de Educação Física, na Zona Norte do Rio – um Policial Militar foi apontado como responsável pelo tiro que matou a garota;

Marcus Vinicius da Silva, 14 anos, morto com um tiro em 2018, na Maré,  – antes de morrer ele disse ter visto o tiro sair de um “blindado” da PM.;

Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos, morta por um tiro no complexo do Alemão, em 2019, enquanto estava com a mãe em uma Kombi – testemunhas afirmaram que o disparo veio de um Policial Militar;

João Pedro, 14 anos, que no dia 18/05/2020, enquanto brincava com primos em casa, em São Gonçalo, foi atingido no peito por projétil de arma de fogo, durante uma ação policial.

Como bem disse o professor Michel Foucault: o Estado não é para operar a morte, é para cuidar da vida de todos.

Conforme a sensação de anestesia diante das barbaridades toma conta dos indivíduos, cresce a tendência de que esse “mal” se banalize.

Atos ou ações nos quais o “mal” se manifesta não podem jamais perder a capacidade de nos afetar, pois é preciso que eles provoquem reflexões e consequentemente, mudanças.

Nós vos pedimos com insistência:

nunca digam – isso é natural!

Diante dos acontecimentos de cada dia.

Numa época em que reina a confusão,

em que corre o sangue,

em que o arbitrário tem força de lei,

em que a humanidade se desumaniza…

Não digam nunca: isso é natural,

a fim de que nada passe por ser imutável.

  Bertold Brecht

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