Crônica: Bia e suas histórias

Crônica: Bia e suas histórias

Por Morena Flor – aluna do CEEJA de Marília

Bia se casou com apenas 13 anos. Seus pais sempre falavam que mulher nasceu pra casar, ter filhos e cozinhar. Seu pai agredia sua mãe verbalmente e fisicamente. Estudou de tanto a sua madrinha brigar com ele. Estudou até os 12 anos. Fugiu de casa para casar pensando em ser feliz e voltar a estudar. Mas a história se repetiu. O ex-marido lhe batia e maltratava. Dizia que lugar de mulher é na cozinha mesmo. E trabalhando na roça para ter filhos saudáveis.

Sofreu muito. Era espancada quase todos os dias. Trabalhava feito escrava na roça em casa. A vida se resumia em tristeza. Levou choque. Achou que iria morrer. Foram 29 anos de sofrimentos, se sentindo a pior pessoa do mundo. Sentia vontade de morrer. Não queria mais continuar. Um belo dia engravidou.

Já estava com 18 anos, ai pensou: “agora vou ser feliz, vou ter uma pessoinha para me fazer feliz!”. Enganou-se! Foi mais uma pessoa para sofrer do seu lado. Naquele tempo, as mulheres se casavam para ficar casadas. Ela teve mais 3 filhos. Foi abusada após um dos seus partos, ainda com pontos!

Mas Bia, mesmo se sentindo a última pessoa do mundo, amava seus filhos mais que tudo. Quando já não tinha mais esperança, resolveu se separar! Viveu um dia após o outro. Sem nenhuma expectativa ou sonhos ela disse a si mesma: “vou terminar de criar meus filhos e esperar a morte chegar, não tenho mais porque viver!” Mas Deus não desampara um filho seu, mesmo que esse filho tenha pouca fé.

Para sustentar seus filhos foi pedir emprego numa clínica de odontologia. Começou a trabalhar um dia por semana como faxineira. Os dias foram correndo e passou a ir todos os dias. De faxineira passou a ser amiga da dona. Foram vários anos assim. Para ser mais exato foram cinco anos! Finalmente, ela saiu da periferia e sua amiga se tornou um anjo em sua vida. Ajudou-a a ter sua casa própria e a incentivou a voltar a estudar.

Sabe… Bia nunca imaginou que voltaria a sorrir, que iria fazer planos e voltar a viver. Seus filhos a olha com orgulho. Ouvir “você vai conseguir” é maravilhoso. Nunca foi tarde demais para recomeçar, nem para sonhar. Hoje, ela pensa que vai fazer uma faculdade e ver seus filhos assistindo ela receber o diploma de pedagogia.

Vê-la receber sua vitória é demais! Para Deus nada é impossível. Na vida, temos também sempre um pouco de ajuda de alguns anjos da guarda. Não podemos nos esquecer, é logico, que depende nós também querer aos poucos mudar nossa história.

Caro leitor, prometo voltar aqui para contar pra vocês o restante da historia de Bia.

Confira a Agenda de Oficinas e Rodas de Conversas para 2019

Confira a Agenda de Oficinas e Rodas de Conversas para 2019

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Marcas do Modernismo na arquitetura escolar

Marcas do Modernismo na arquitetura escolar

Por Marcelo Sampaio, fotógrafo brasileiro.

O prédio do CEEJA Profa. Sebastiana Ulian Pessine manifesta um dos melhores momentos da arquitetura brasileira. Brasília, patrimônio arquitetônico da humanidade, foi elaborada nesse estilo, com urbanismo baseado em conceitos modernistas.

Brasília foi em sua época uma cidade futurista, de um país justo sonhado para sua população. Oscar Niemeyer é o arquiteto brasileiro mais conhecido internacionalmente e, além de Brasília, imprimiu em suas outras obras mundo a fora as marcas do modernismo brasileiro. Entre outras características, essa arquitetura estimula a socialização como forma básica do uso do espaço, sempre organizado para facilitar as aglomerações e o trabalho coletivo.

O prédio onde se localiza o CEEJA em Marília apresenta várias desses aspectos arquitetônicos em suas dependências e fachada, marcando a paisagem da cidade com o modernismo de um passado áureo. Andando pelos corredores do CEEJA, é fácil perceber a atmosfera moderna, assim como seus sonhos e imaginação, nos blocos vazados, nas tampas largas substituindo as tradicionais escadas e na arena central com função também de acesso ao térreo. Andar pelo CEEJA é um convite a aulas de arte, urbanismo, história e cultura brasileiras.


Fotógrafo Marcelo Sampaio*

 

Marcelo Sampaio realizou documentação fotográfica e artística no CEEJA durante o primeiro trimestre de 2019 e seus registros trouxeram à tona uma importante reflexão acerca da história e memória da cidade, bem como suscitou o valor histórico e cultural da fotografia e da escola.

O fotógrafo é formado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista/Unesp Marília. Atuou como professor na área, em instituições como o Senac, Unesp, arte-educador na Oficina Cultural “Tarsila do Amaral”, no Estudos e Cia, Estação Cultura/Marília, além de vários cursos na própria Unesp, Faef/Garça e Cefam/Tupã.

 

*fonte da imagem e da breve biografia do fotógrafo Marcelo Sampaio: Marília Global. Acesso em 1 abril 2019. Disponível em http://mariliaglobal.com.br/03/09/2015/exposicao-fotografica-olhares-invisiveis-revela-marilia/