Sociologia

Arrependimento não mata, mas ensina a viver!

Em 2011, meu pai me tirou de uma escola pública e me colocou em uma escola particular. Eu tentei me adaptar com os novos alunos, mas era bem difícil pois eu morava com minha mãe e meus irmãos em uma comunidade e, chegando na nova escola, os alunos faziam diferença de mim e eu não gostava disso.

Fazia de tudo pro meu pai me tirar daquela escola onde todos os alunos não gostavam de mim por eu morar em uma comunidade. Fiz de tudo pra ser expulsa daquela escola e quando passei para a oitava série eu cheguei na escola e pedi uma carta de transferência. Voltei à minha antiga escola e aos meus verdadeiros “amigos”. Mas foi aí que me enganei, pois naquele mesmo ano eu comecei a perder o interesse pelos estudos. A partir daí, meu pai – já decepcionado comigo – não quis mais saber e deixou que vida me mostrasse o que realmente ela queria de mim.

Com 15 anos, já distante do meu pai, parei de estudar e só queria sair com as amigas; pensava somente em curtir; Dois anos mais tarde, eu comecei a mexer com contravenções,  o que custou minha liberdade aos 18. Esse mundo de ilusões acabou. Quando fui cair na real, acordar pra vida, eu estava atrás das grades e quem esteve do meu lado foi somente minha mãe.

Eu caí na real que nunca precisei de nada daquilo uma vez eu tinha de tudo e quem não deu valor foi eu. Todos ao meu redor, que diziam ser meus amigos, todos esses se afastaram de mim. Nesse momento da minha vida eu tive oito meses pra refletir sobre tudo que se passou e, se, realmente era essa vida que eu queria pra mim. E a resposta foi que jamais eu daria aquele sofrimento à minha mãe novamente e a mim mesma!

Ainda atrás das grades, eu comecei a estudar novamente na intenção de sair de lá e ser uma nova pessoa. Comecei a trabalhar também já que não era sempre que minha mãe podia me visitar. Mas meu tempo não permitiu que eu terminasse meus estudos e graças a Deus, com oito meses, eu saí daquele inferno!

Hoje, estou fazendo o que eu posso para terminar meus estudos aqui no CEEJA (antigo CEESMA) e já estou acabando para buscar um emprego e recomeçar a minha vida honestamente. Nunca é tarde pra recomeçar do zero! E vou recomeçar quantas vezes for preciso! Já passei por muitas coisas na minha vida. Mesmo sendo bem nova. Isso só me deixa cada vez mais madura. Como diz o ditado: é errando que se aprende! E com cada erro meu, eu estou sempre aprendendo.

Se eu tivesse escutado meus pais tudo seria mais fácil. Nossos pais sabem o que é melhor para nós. Hoje, eu e meu pai não nos falamos. Eu espero que um dia ele entenda o meu lado assim como hoje eu entendi o dele. Mas sei que um dia ele vai me perdoar, pois o arrependimento que ele esperou que eu sentisse… eu estou vivendo.


Autoria: Aluna Carla (pseudônimo), estudante do CEEJA.
Texto produzido na Biblioteca do CEEJA por meio do Projeto Ubuntu – Eu sou porque nós somos!

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