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Prática de leitura com foco em Filosofia é tema de debate no CEEJA

A prática de leitura possibilitou discutir juntamente com os alunos a noção sobre a divisão de classes existente na sociedade capitalista, bem como esclarecer a respeito dos modos de produção em nossa sociedade e o modo como os trabalhadores são alienados diante da exploração burguesa.

O CEEJA se constitui de muitos alunos trabalhadores e a oportunidade de ler e discutir o texto “A ditadura do relógio” agregou muito valor ao currículo destes estudantes. Confira alguns momentos da atividade proposta pelos professores Reginaldo, de Filosofia e por Conceição, da Sala de Leitura. A oficina também teve a participação do PIBID/Unesp.

O objetivo primordial dessa Oficina é proporcionar aos discentes do CEEJA uma discussão a repeito da maneira como o trabalhador é tratado em nossa sociedade. Como se sabe, a organização do Estado, sob a ótica do sistema capitalista, permite a existência de classes sociais antagônicas. Tais classes, configuradas aqui entre burgueses e proletariados (trabalhadores), lutam de maneiras diferenciadas por condições sociais, políticas e econômicas.

Enquanto os burgueses ou os patrões querem manter seus status de domínio (status quo) na sociedade, os trabalhadores buscam por direitos de aumento salarial de acordo com a inflação, por uma melhor distribuição de renda, por condições satisfatórias de saúde e assim por diante. A saúde, inclusive, é o motor que impulsiona o trabalhador a buscar essas e todas as outras condições dignas de sobrevivência. Pois, além da submissão a uma condição alienante em que o trabalhador vive, uma vez que tudo o que é produzido por ele não lhe pertence (inclusive o seu tempo e o seu suor, sendo que isso foi negociado em um contrato trabalhista) e sim ao patrão, existe o fato desse trabalhador adoecer.

A falta de qualidade de vida e as suas consequências bio-psico-sociais conduz o operário as más condições de vida, de trabalho e de organização de seu tempo. Um exemplo dessa condição de vida “mecânica” cotidiana já foi descrita por George Woodcock (WOODCOCK, 2014), em seu livro a “ditadura do relógio”: (…) Refeições feitas às pressas, a disputa de todas as manhãs e de todas as tardes por um lugar nos trens e nos ônibus, a tensão de trabalhar obedecendo a horários, tudo isso contribui, pelos distúrbios digestivos e nervosos que provoca, para arruinar a saúde e encurtar a vida dos homens. (…).

O operário transforma-se, por sua vez, num especialista em “olhar o relógio”, preocupado apenas em saber quando poderá escapar para gozar suas escassas e monótonas formas de lazer que a sociedade industrial lhe proporciona; onde ele, para “matar o tempo”, programará tantas atividades mecânicas com tempo marcado, como ir ao cinema, ouvir rádio e ler jornais, quanto permitir o seu salário e o seu cansaço. Só quando se dispõe a viver em harmonia com sua fé ou com sua inteligência é que o homem sem dinheiro consegue deixar de ser um escravo do relógio.

Portanto, abordar essas questões do mundo do trabalho é de fundamental importância para o desenvolvimento do aluno que faz parte do CEEJA, sendo que em sua maioria é composta por trabalhadores assalariados e que lutam para melhorar suas condições sociais e econômicas.

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